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Análise de Impactos de Cruzeiros Marítimos na Ilha Grande
Temporada 2009-2010 

Realizada por Roberto M.F. Mourão

 

MSC Armonia fundeado na Enseada do Abraão © Roberto M.F. Mourão (2010)

 

Objetivos

  • Realizar Análise Preliminar das Operações de Cruzeiros Marítimos na Ilha Grande

As operações de cruzeiros marítimos na Ilha Grande, em Angra dos Reis, têm provocado debates e reclamações por parte de atores e grupos de interesse locais, gerando conflitos sobre a questão dos impactos negativos e positivos e sustentabilidade deste segmento, um dos que mais crescem na costa brasileira e no mundo.

Com o objetivo de contribuir na discussão e análise das operações, promoveu-se esta breve análise local e uma pesquisa de outros destinos de cruzeiros marítimos, com o objetivo de dar subsídios para que o assunto seja conduzido de forma idônea e profissional à luz de outras experiências, exitosas ou não.

  • Realizar Curso-piloto de Atendimento para Barqueiros

Em virtude dos conflitos gerados pelas operações de cruzeiros e da demanda local por melhores práticas operacionais, criou-se a necessidade de capacitar e treinar barqueiros e outros prestadores de serviços afins, buscando ordenar e otimizar o receptivo.

O Sebrae RJ, dentro de sua missão de promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos empreendimentos de micro e pequeno porte, promoveu um curso-piloto de boas práticas de atendimento para barqueiros da Ilha Grande, com o objetivo de identificar demandas e deficiências operacionais e replicar o curso na baixa temporada. Independente da continuidade dos cruzeiros, as boas práticas poderão beneficiar o destino turístico no futuro.


Justificativa

Esta análise, realizada com foco na Vila do Abraão, Baía da Ilha Grande, Angra dos Reis, teve por objetivo subsidiar análise de viabilidades ambiental e socioeconomica dos cruzeiros marítimos em polos turísticos, em especial ilhas, com populações de comunidades tradicionais, em geral com infraestruturas urbana e turística limitadas.

Devemos destacar o apoio a este trabalho de Alexandre de Oliveira, presidente do Comitê de Defesa da Ilha Grande (CODIG).

Um transatlantico como MSC Armonia, da MSC Cruises, o da foto acima, com tonelagem bruta de 65.500 ton. (comprimento 275 m, largura 32 m, altura 54 m, 13 andares, 976 cabines), tem capacidade de hospedar mais de 2.500 passageiros e tem uma tripulação de mais de 700 pessoas, ou seja uma 'pequena cidade com população' de mais de 3.000 pessoas.

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MSC Armonia e Lirica fundeados na Baia da Ilha Grande, Angra dos Reis © Roberto M.F. Mourão (2010)


Considerando:

  • que a população da Ilha Grande é de aproximadamente 7.000 pessoas (dados de 2010), agrupadas em 13 núcleos e dispersas nas proximidades de praias e costeiras;
  • que os principais núcleos populacionais estão nas comunidades de Provetá e Abraão;
  • que a população da Vila do Abraão é estimada em 1.971 habitantes (2010);
  • que a Ilha Grande é carente em infraestrutura urbana (e turística) para atender sua população residente;
  • as informações sobre o navio do porte do MSC Armonia, acima mencionadas;

a acolhida de uma embarcação desse porte, com sua 'população' de 3.000 pessoas, maior que a da Vila do Abraão, pode vir a causar sérios impactos socioambientais.

Uma cidade turística como o Rio de Janeiro, Recife ou Salvador, com certeza tem capacidade de absorver um fluxo diário de transatlanticos de grande porte com tranquilidade, desde que suas instalações portuárias forem adequadas.  

Agora, imagine que, ao mesmo tempo que Abraão, receba dois transatlanticos no mesmo dia, como ocorreu em dezembro de 2009: o Armonia e o Lirica (59.000 ton., comprimento 251 m, largura 28 m, altura 54 m, 13 andares, 795 cabines, capacidade ~ 1500 e tripulação ~ 700 pessoas...

 

Introdução

Nos últimos anos, Cruzeiros Marítimos entraram na ‘cesta básica’ da classe média brasileira e mundial. Com o aumento da oferta de cruzeiros com navios a cada dia de maior porte, com uma ampla oferta de preços que atraem uma clientela variada.

Tarifas com atraentes descontos para acompanhantes, incluindo farta alimentação, bebidas durante as refeições (inclusive alcoólicas) e muitas opções de lazer, fazem a alegria de um mercado de forte demanda.

Seguindo a tendência mundial, dois tipos de cruzeiros estão disponíveis na costa brasileira: os “Cruzeiros Abertos” e os “Cruzeiros Temáticos”.

Os Cruzeiros Abertos, que representam mais de 80% dos cruzeiros comercializados pelas agências de turismo, tem como público-alvo grupos familiares, em férias, formado por casais com ou sem filhos, ou em lua de mel.

Os Cruzeiros Temáticos, em menor número, são direcionados a grupos com interesse específicos, sendo idealizados e promovidos por agências e companhias de navegação, com temas variados: shows de artistas e cantores, gays, solteiros e descasados, gastronomia, moda, estudantes, eventos e congressos, entre outros.

O setor registra crescimento excepcional, cujos principais pontos de parada são destacados destinos, tais como:

  • Angra
  • Búzios
  • Cabo Frio
  • Fernando de Noronha
  • Fortaleza
  • Ilha Grande
  • Ilhabela
  • Ilhéus
  • Itajaí
  • Macapá
  • Maceió
  • Natal
  • Porto Belo
  • Recife
  • Rio de Janeiro
  • Salvador
  • Santos
  • Vitória
  • Ubatuba.

com roteiros para internacionais para:

  • Punta Del Este, Uruguai
  • Buenos Aires, Argentina.

Além de cruzeiros fluviais ao longo do Rio Amazonas, visitando:

  • Belém,
  • Santarém
  • Manaus.

Não há dúvidas que o impacto econômico é significativo, sobretudo na criação de empregos, mas a questão que preocupa é quanto ao real custo-benefício para os destinos turísticos por onde aportam, sobretudo nas cidades menores e em áreas ambientalmente sensíveis. 

Segundo informações da Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar) de que na temporada 2009/2010 haveria um “boom” de cruzeiros marítimos na Ilha Grande, no município de Angra dos Reis, causou preocupação a ambientalistas e empresários responsáveis, preocupados com a qualidade ambiental e operacional regionais deste importante destino turístico sul-fluminense.

A temporada de verão 2009-2010 prevê que a Ilha Grande receberá 7 navios, com capacidades variando de 2.000 a 3.000 passageiros, em 66 viagens podendo trazer, caso ocupe a quantidade total de leitos disponível nas viagens, até 150 mil turistas.

Sabe-se que todo fluxo turístico tem custos ambientais e/ou culturais, cabendo aos gestores planejadores a responsabilidade de controlar e monitorar a visitação de forma a minimizar ou mitigar eventuais danos. Em se tratando de capitais e cidades de maior porte, estruturadas para o turismo, os impactos negativos ambientais e socioculturais podem ser praticamente desconsiderados e os positivos, econômicos, bem-vindos.

Em se tratando de uma ilha que grande parte de sua área é constituída de unidades de conservação, com insuficiente serviço de captação e de tratamento de esgotos, com infraestrutura turística necessitando melhorias, com necessidade de capacitação e treinamento de mão de obra para o turismo, se faz necessário e importante o diálogo companhais marítimas-comunidade da Ilha Garnde para se buscar alternativas que promovam a sustentabilidade.

 

 

Análise de Impactos de Cruzeiros Marítimos


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