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Em agosto de 1991, o Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur) e a Associação Brasileira de Agentes de Viagem (Abav), antevendo o interesse dos participantes da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento - Rio-92, a se realizar no Rio de Janeiro, em junho de 1992, encomendou à operadora especializada Expeditours, a elaboração de um catálogo de viagens 'ecológicas' no Brasil.

Desde 1985, a Embratur e o Ibama já vinham discutindo com empresários brasileiros o 'turismo ecológico' no Brasil, culminando com a elaboração das Diretrizes para a Política Nacional do Ecoturismo, marco legal da implementação oficial do ecoturismo em 1994, em Goiás Velho, GO.
 

Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento - Rio-92

Linha do Tempo / Timeline

 

Rio 92 Clube de roma

 

Da Fundação do Clube de Roma à Rio 92 (Eco 92)

Também conhecida como Cúpula da Terra, a Rio-92 reuniu mais de 100 chefes de Estado para debater formas de desenvolvimento sustentável, um conceito relativamente novo à época. O primeiro uso do termo é de 1987, no Relatório Brundtland, feito pela ONU. Esse documento norteou as discussões sobre um modelo de crescimento econômico menos consumista e mais preocupado com questões ambientais. As bases para a conferência de 1992 já eram discutidas desde 1972, quando a ONU organizou uma conferência em Estocolmo, na Suécia.

A Rio-92 teve tanta visibilidade e adesão de países que a reunião seguinte, em Joanesburgo, na África do Sul, foi apelidada de Rio+10. Entre 13 e 22 de junho deste ano, a Cidade Maravilhosa sediou a Rio+20. O objetivo do encontro foi verificar se houve avanços em relação às cúpulas anteriores e o que ainda precisa ser feito para que os países sejam, de fato, sustentáveis.


Clube de Roma

O Clube de Roma é um grupo de pessoas ilustres que se reúnem para debater um vasto conjunto de assuntos relacionados a política, economia internacional e , sobretudo, ao meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Seus membros são personalidades oriundas de diferentes comunidades: científica, acadêmica, política, empresarial, financeira, religiosa, cultural). Foi fundado em 1966 pelo industrial italiano Aurelio Peccei e pelo cientista escocês Alexander King. Tornou-se muito conhecido a partir de 1972, ano da publicação do relatório intitulado Os Limites do Crescimento, elaborado por uma equipe do Massachussets Institute of Tecnology (MIT), contratada pelo Clube de Roma e chefiada por Dana Meadows.

O relatório, que ficaria conhecido como Relatório do Clube de Roma ou Relatório Meadows, tratava de problemas cruciais para o futuro desenvolvimento da humanidade tais como energia, poluição , saneamento, saúde, ambiente, tecnologia e crescimento populacional, foi publicado e vendeu mais de 30 milhões de cópias em 30 idiomas.[2] tornando-se o livro sobre ambiente mais vendido da história.

Utilizando modelos matemáticos, o MIT chegou à conclusão de que o Planeta Terra não suportaria o crescimento populacional devido à pressão gerada sobre os recursos naturais e energéticos e ao aumento da poluição, mesmo tendo em conta o avanço tecnológico.

O Relatório Brundtland é o documento intitulado Nosso Futuro Comum (Our Common Future), publicado em 1987. Neste documento o desenvolvimento sustentável é concebido como: "o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades".

O Relatório, elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, faz parte de uma série de iniciativas, anteriores à Agenda 21, as quais reafirmam uma visão crítica do modelo de desenvolvimento adotado pelos países industrializados e reproduzido pelas nações em desenvolvimento, e que ressaltam os riscos do uso excessivo dos recursos naturais sem considerar a capacidade de suporte dos ecossistemas. O relatório aponta para a incompatibilidade entre desenvolvimento sustentável e os padrões de produção e consumo vigentes.

A Conferência de Estocolmo sobre o Ambiente Humano das Nações Unidas foi a primeira Cimeira da Terra, e onde ocorreu pela primeira vez a nível mundial preocupação com as questões ambientais globais.

 

Lado B

RIO 92 SeloVerdeSIGA CartaComissao maio1992Quando da execução do trabalho, a equipe Expeditours propos que o catálogo fosse impresso em papel reciclado, novidade e raro na época, mas uma proposta coerente com o evento e uma idéia 'avançada' para aquele momento. 

A Abav e a Embratur deram contra e, de posse do conteúdo, mandaram imprimir o catálogo oficial na forma convencional: papel couchê, matte, gramatura 90g. (que possui uma camada de revestimento de carbonato de cálcio, caulim, látex e outros aditivos, que conferem à sua superfície um alto nível de brancura e lisura - ou seja, 'mais química' e maior custo).

Também se recusaram a 'enxergar' o Brasil pela ótica ambiental: por seus Biomas e Ecossistemas, continuando a utilizar a visão  'clássica' do turismo: portões de entrada Regiões (Sul, Nordeste, Norte...) e Estados. 

Mas essa decisão oficial não desistimulou a equipe Expeditours que buscou alternativas para financiar um catálogo 'genérico' e coerente. Por sorte, foi lhes apresentado Jorge Carneiro, diretor  da Editora Ediouro, que topou o desafio e, generosamente, com visão de futuro, forneceu  gratuitamente o papel reciclado (na realidade aparas de papel), indicando o gerente de produção Giro Takarashi para coordenar os trabalhos de produção dos catálogos 'ecologicamente corretos'.

RIO 92 DiplomaAcaoVerdePara revisar o texto em inglês, considerado como 'estranho' pela equipe internacional da Varig Linhas Aéreas, transportadora oficial do evento, a Expeditours conseguiu apoio de Gerard Bourgeseau, gerente do Departamento de Eventos, que colaborou com a revisão dos textos por seu departamento.

Posteriormente, essa relação frutificou num projeto de produção de um catálogo internacional de promoção do Brasil 'ecológico', via escritórios Varig internacionais, apoiado por uma série de videos produzidos pela Raiz-Savaget, produtora do programa Globo Ecologia, da Rede Globo.

O 'surreal' dessa história é que, por Expeditours ter utilizado papel reciclado e, principalmente, pela iniciativa de criar uma nova visão turística do Brasil por seus aspectos ambientais, uma vez que o catálogo 'genérico' utilizou, pioneiramente, Biomas e Ecossistemas para catalogar os tours, enquanto Abav e Embratur continuaram utilizar as referências clássicas do 'Brasil político', recebeu o selo Diploma Ação Verde, promovido pela Sociedade para o Incentivo ao Gerenciamento Ambiental (SIGA), durante o I Congresso da Internacional Network Environment Management (INEM).

 

RIO-92 Catálogo de Turismo Expecializado Abav-Embratur-EcoBrasil

 

Os Catálogos de Viagens da Rio 92

 

rio92 manual Ecoturismo Expeditours Embratur FV margemvermelha capas
Capas dos catálogos Expeditours (primeiro plano) e da Embratur (catálogo oficial da Conferência)

 

rio92 manual Ecoturismo Expeditours Embratur FV margemvermelha paginas internas
Páginas internas do Catálogo Expeditours ('genérico').
Produzido com apoio do American Express, Varig (Gerard Bourgeseau) e Editora Ediouro (Jorge Carneiro). 

 

rio92 manual Ecoturismo Expeditours Embratur FV margemvermelha pagina interna
Página interna Catálogo Expeditours ('genérico'), detalhe.