"Boa prática consiste em uma(s) técnica(s) identificada(s) e experimentada(s) como eficiente(s) e eficaz(es) em seu contexto de implantação, para a realização de determinada tarefa, atividade ou procedimento ou, ainda, em uma perspectiva mais ampla, para a realização de um conjunto destes, visando o alcance de um objetivo comum."

 

"Boas Práticas são aquelas que, visando atingir as Melhores Práticas, estabelecem os requisitos mínimos para a certificação."
 
"Melhores Práticas são formas ideais para executar um processo ou operação. São os meios pelos quais organizações e empresas líderes alcançam alto desempenho e também servem como metas para organizações que almejam atingir níveis de excelência."
 
 

Por exemplo, a partir da informalidade para formalidade, um boa prática é atender à legislação vigente e aplicável à sua atividade foco, ou seja, uma operadora de turismo deve estar cadastrada no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) para passar para o patamar "Formalidade".

Ou uma pousada, em ambiente natural ou rural, deve ter licença ambiental.

Não existe um único processo de “melhores práticas” e não há nenhum conjunto práticas que funcione para todos os lugares o tempo todo.

No caso do Turismo, cada processo de desenvolvimento turístico é diferente de outro sob o ponto de vista:

  • Ambiental
  • Cultural
  • Econômico
  • Geográfico
  • Legal
  • Político
  • Social
  • Tecnológico


Deve-se considerar que empresas ou organizações têm suas próprias metas, oportunidades e restrições, que devem se ajustar utilizando as boas práticas.

Além disso, "Melhores Práticas" dependem da fase de desenvolvimento em que cada organização se encontra e essas práticas mudam à medida que a organização avança na busca da qualidade e excelência.

 

Boas Práticas para o Desenvolvimento Sustentável
Fonte: Unidade de Coordenação da FAO Organização NU para Alimentação e Agricultura

  1. Nível de Sistematização das Informações
  2. Resultados Quantitativos
  3. Nível de Impacto
  4. Potencial de transferência
  5. Eficiência, eficácia, efetividade e êxito
  6. Nível de entendimento
  7. Sustentabilidade
 
Descrição dos Critérios de Avaliação
 
1. Nível de Sistematização da Boa Prática
 
Entende-se por sistematizar tanto conferir ordem, método, estrutura (portanto organizar), quanto fazer um apanhado de ideias, que pressupõe resumo, sistematização.
 
Assim, neste campo considera-se o grau de sistematização da boa prática, especialmente quanto à clareza das informações preenchidas no Formulário de Identificação das Boas Práticas.
 
Refere-se à capacidade de atender aos objetivos propostos em cada um dos campos do Formulário de Identificação das Boas Práticas, de maneira que a descrição da prática expresse a realidade do contexto de proposição e os resultados alcançados, contextualizados no espaço geográfico e no tempo.
 
Ao avaliar-se o nível de sistematização, é possível verificar-se os níveis de planejamento e, quando da execução, de monitoramento relativos à prática.
 
Diz respeito a todos os campos do formulário, mas, sobretudo aos antecedentes, solução adotada, resultados alcançados e transferência.
 
2. Resultados quantitativos
 
São os dados quantitativos que indicam os progressos alcançados na execução da prática, expressos nos resultados alcançados, mensurados em relação aos antecedentes e objetivos estabelecidos.
 
Diz respeito, diretamente, ao campo “resultados alcançados”, enquanto produtos, efeitos, consequências práticas, enquanto ações, expressas em números, caracterizando a dimensão – numérica – alcançada. Estando ligado, evidentemente, aos objetivos propostos; procura-se aferir o quanto os resultados alcançados contribuem para o alcance do(s) objetivo(s), respondendo, por fim aos antecedentes, ao problema que a adoção da prática procurou resolver.
 
3. Nível de Impacto causado
 
Diz respeito às mudanças alcançadas a partir da aplicação da boa prática, sua durabilidade, permanência. Trata-se da possibilidade da boa prática alcançar os objetivos, produzindo mudanças tangíveis (concretas, claras, definidas, perceptíveis) e duradouras. Tem estreita relação com os resultados quantitativos, e portanto, diz respeito ao campo “resultados alcançados” em relação ao(s) objetivo(s) proposto(s) e deste com os “antecedentes”.
 
4. Potencial de transferência
 
Ou potencial de replicabilidade é a possibilidade de uma boa prática ser reaplicada sem perda relevante de seu nível de efetividade, servindo como modelo para gerar iniciativas, adaptando-se para satisfazer necessidades, sem necessariamente significar uma cópia de ações ou projetos já desenvolvidos.
 
As informações devem permitir identificar se:
  1. A prática já foi aplicada em outros contextos além do inicial?
  2. De que forma o conhecimento foi transferido?
  3. Houve acompanhamento sobre quais os impactos e a sustentabilidade da(s) iniciativa(s) desenvolvida(s) a partir da transferência da boa prática?
 
5. Eficiência, eficácia, efetividade e êxito
 
  • Eficiência entendida como a capacidade de produzir resultados com o mínimo de recursos (fazer mais com o mínimo de recursos).
  • Eficácia entendida como a capacidade de alcançar resultados, o que inclui a identificação dos objetivos mais adequados e a utilização dos melhores meios para alcançá-los.
  • Efetividade entendida como benefícios ao público-alvo (em que medida a prática permitiu benefícios ao seu público-alvo? As melhorias eram prioritárias ao público-alvo? Ou apenas tangenciam suas necessidades prioritárias?
  • Êxito entendido como “o que tem bom resultado”, sucesso; resultados alcançados de acordo com o planejado.
 
Perguntas que podem auxiliar a avaliação:
 
  1. A elaboração da prática partiu de uma demanda específica do público-alvo?
  2. Esta demanda foi identificada por meio de instrumento de diagnóstico?
  3. Ou a identificação da demanda se deu de forma empírica?

Ou ainda, a demanda surgiu a partir de uma pesquisa acadêmica ou de um órgão/entidade?

 
Conclui-se, portanto, que a boa prática deve mostrar sua importância estratégica para atendimento das necessidades do público-alvo.
Deverá mostrar o quanto obteve sucesso, o quanto foi exitosa, considerando-se os antecedentes e os objetivos em relação aos resultados
alcançados.
 
Tem relação, principalmente, com o campo “solução adotada”, enquanto descrição da maneira como foi trabalhada a prática, sua metodologia (enquanto critérios para desenvolvimento do trabalho, sua organização, planejamento e regularidade, enquanto ritmo, cronograma). Relaciona-se, também, com o público-alvo, a abrangência geográfica e os antecedentes, enquanto contexto (naquela região, para aquelas pessoas, considerando-se aquele contexto).
 
6. Nível de entendimento
 
Diz respeito à capacidade da prática de ser compreendida por seu público-alvo; de utilizar técnicas, metodologia, linguagem e materiais acessíveis ao público-alvo. O nível de entendimento guarda estreita relação com o potencial de transferência, pois, quanto mais compreensível for a boa prática, quanto maior o nível de entendimento da mesma, maior sua capacidade de transferência.
 
Na análise do nível de entendimento, deverá ser possível identificar se houve participação do público-alvo na concepção da boa prática (que poderá constar do campo antecedentes, como também da solução adotada), como também o quanto já foi replicada.
 
O nível de entendimento guarda relação com os aspectos técnicos da prática, no sentido da mesma ser tecnicamente possível e viável para ser aplicada no dia-a-dia.
 
Diz respeito principalmente ao campo “solução adotada” relacionada ao “público-alvo” e relacionado ao potencial de transferência.
 
7. Sustentabilidade
 
Sustentabilidade é um termo usado para definir ações e atividades humanas que visam suprir as necessidades atuais dos seres humanos, sem comprometer o futuro das próximas gerações. Ou seja, a sustentabilidade está diretamente relacionada ao desenvolvimento econômico e material sem agredir o meio ambiente, usando os recursos naturais de forma inteligente para que eles se mantenham no futuro.
 
“Ações que procuram garantir o futuro de um lugar, com qualidade de vida, respeito às pessoas e sua cultura, conservação do meio ambiente, manutenção da biodiversidade, adequação ao território podem ser consideradas sustentáveis (Mendes, J. M. G. in Dimensões da Sustentabilidade, Revista das Faculdades Santa Cruz, v.7, n.2, julho/dezembro 2009).
 
É importante ter em conta as Dimensões da Sustentabilidade:
  • ecológica
  • econômica
  • social
  • territorial (ou espacial)
  • cultural
  • política
 
mesmo sabendo que sustentabilidade em sentido estrito, refere-se à capacidade da prática de permanecer sendo efetiva no futuro, estando relacionada, portanto, à durabilidade dos resultados, efeitos, alcançados; relacionando-se, ainda, com a metodologia utilizada e com os aspectos relacionados à eficácia, eficiência, efetividade e êxito.